Fora de área.

Ligações (e o anseio por elas), desencontros e algumas espectativas cercam o dia de possibilidades e os nervos querem respostas. O corpo se mostra necessitado em encontrar-se com a brisa de uma boa caminhada em parceria pela cidade, ou um programa qualquer. E a manhã é sacudida - inicialmente - por um banho gelado. Uma lâmina de barba. Um comichão. Um diálogo telefônico (modelo genérico):

_Ei. Bom dia.

_Bom dia… mande (?).

_Ligo pra saber como anda tua missão hoje (note o desconforto gerado pelo termo, logo o clima cortês esgotou-se).

_Ah, vou almoçar com uns amigos - lugar ‘x’ - de lá pretendo ir pra casa.

A falha do pressuposto. Um encontro havia sido marcado para este dia, e uma resposta evasiva demonstra o desinteresse em tornar qualquer coisa possível, e o desconforto começa a ultrapassar o limite do aceitável.

_Certo. Me ligue quando chegares. É possível que eu já esteja por perto (em algum momento, o antagônico interesse em se fazer presente tem de surgir, mesmo que de modo simbólico, casual).

_Tudo bem… beijo (algumas formalidades são desnecessárias).

_Outro (…), se cuide.

Pois vários descuidos já ocorreram neste hermético jogo do querer. Neste caso, o infeliz, após a ligação, arrumou o dia e a si em função desta ligação, e do pressuposto anterior de um encontro que não ocorreu (satisfatoriamente). Ele tornou a possibilidade de estar perto da residência da pessoa uma lei e por lá se estabeleceu, justificando sua permanência com as atrações das proximidades, ou com as pessoas queridas que encontrou. Num impulso, liga:

_Fora de área. Merda.