Por ora.

Na varanda de uma pequena casa - ainda em construção - em uma estreita e rústica vila escondida na Ilha de Cotijuba, próxima às ruínas da casa de uma antiga figura da região, de sobrenome Barata, encontra-se um refúgio feito de alvenaria, e naquele momento cercado de criaturas e mosquitos sanguinários, porém vulneráveis à ação do repelente e mosquiteiros utilizados pelo jovem rapaz recém-bronzeado e seus colegas de aventura, instalados por lá desde a manhã.

Após um considerável entretenimento, somados à forte presença do Rum, ele se encontrava deitado e coberto com o lençol dos pés à cabeça, numa rede de campanha, e tendo de entender por dignidade a manutenção seus dedos longe das teclas do celular. Foi obrigado pelo pudor a fechar seus olhos, engolir a saliva latente e esperar o imenso sentimento de falta sentido durante o belo dia na praia tornar-se inconsciente.

Ele desfez seu olhar - furiosamente fixo - e a vontade de ir às portarias, calçadas de rotinas não-suas, de proferir palavras portadoras da paz à ansiedade, mas finalmente conseguiu ponderar o suficiente para acalmar o espírito ferido. Tentando relaxar, enfim.

Porém, o ruído dos mosquitos somados ao da respiração alheia gerou uma perfeita atmosfera de caos sonoro, contundente o suficiente para atazanar seu sono. Seu frágil equilíbrio estava por um fio, contudo, a quantidade de álcool circulando em seu corpo era consideravelmente forte, o suficiente para calar a ansiedade, os predadores e os outros sonhadores. E caindo no sono, pensou:

_Por ora, me calarei. Deixarei o impulso falar n’outro dia, quando inteiro estiver.

Pois ele sabe. Não há necessidade de mascarar o coração na sobriedade, mostrando suas verdades - magicamente oportunas - somente quando o organismo tenta se livrar delas como num vômito embriagado. Deste modo, as palavras brotam sem relevantes chances de equívoco ou exagero, límpidas…

Mesmo quando apenas escritas.