Ancestral.
Certos assuntos familiares - como as próprias memórias - somente são citados em situações específicas do cotidiano sob o estímulo de algum lugar ou comemoração, e viagens de convívio são um prato cheio para as lembranças…
Durante o retorno de mais uma breve visita à praia, num verão assalariado, tive a oportunidade de ouvir novamente um diálogo acerca do passado de nossa família. Fatos, lugares e pessoas que vi, ou não, mas tudo tão vivo na mente dos interlocutores! Acabei guardando muitos dos detalhes, nomes e situações invocados, principalmente se tratando de parentes já finados.
Meu avô por parte de mãe é ricamente lembrado por meu pai em viagens de carro, por exemplo, e desta vez não foi diferente. Durante uma severa discussão entre ele e tia Ambrosina sobre o uso da via na cidade de Timboteua como melhor caminho de Salinas com destino à Belém, seu nome acabou surgindo.
Vô Jarbas viveu e morreu como motorista para empresas, ou para si como taxista, e levou um enorme conhecimento do oficio consigo. Ele conhecia qualquer via para todos os lugares aos quais tinha rodado, e usando suas palavras, papai tem o respaldo para finalizar praticamente qualquer conversa, acrescentando um tom de admiração em seu discurso:
_ Ele não só dirigia bem como não fechava os olhos ao volante! Certa vez ele disse: “Da feita que tenho um destino, não durmo até chegar lá”.
Infelizmente não recordo dele ao volante, entretanto, lembro de vovô o suficiente para compreender o tom de papai ao falar dele dirigindo, e da sua maneira de conduzir, como patriarca, uma família que segue progredindo mesmo após sua partida.
Forçadamente, o ancestral descansa, mas nas memórias continua atento!
- July 30 2010 | - Comments - Read More →


